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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Partido Comunista da Turquia sobre o chamado “Acordo Conjunto de Defesa de Meca”

17.08.2026


Partido Comunista da Turquia (TKP)





O AKP não se está a contrapor a Israel, seu "inimigo irmão" na região. Está a colocar-se como subcontratado para uma "paz americana", uma paz que fortalece Israel, enfraquece o Irão e é flanqueada por potências regionais reacionárias prontas para desempenhar qualquer papel sombrio que o imperialismo lhes designar.











Declaração do Comité Central do Partido Comunista da Turquia (TKP) após a assinatura do “Acordo Conjunto de Defesa de Meca” pelo governo do AKP [Adalet ve Kalkınma Partisi, Partido da Justiça e Desenvolvimento] : 





"O governo do AKP assinou o chamado "Acordo Conjunto de Defesa de Meca" e, com isso, arrastou o nosso país para uma nova e extremamente perigosa aventura militar. A cláusula declarada como a mais importante do acordo trata um ataque armado contra qualquer um dos três países como um ataque contra todos eles."


Dessa forma, o AKP colocou a Turquia sob uma obrigação de gravíssimas consequências, que poderia arrastar o país para a guerra em condições e por motivos imprevisíveis.


O partido governante assumiu essa obrigação numa região onde a agressão imperialista, as rivalidades regionais e os cálculos de governos reacionários se entrelaçam constantemente e ameaçam gerar novos conflitos a qualquer momento.


Nada garante que o papel da Arábia Saudita nas guerras do Iémen e do Mar Vermelho não se apresente amanhã à Turquia como uma “obrigação de defesa conjunta”.


Ninguém pode garantir que uma nova onda de ataques ao Irão, uma escalada da guerra no Iémen ou algum outro acerto de contas regional não arraste a Turquia diretamente para o conflito.


É exatamente esse o ponto: o poderio militar da Turquia está a ser atrelado aos planos regionais do imperialismo, e está a ser aberto o caminho está para que o nosso povo pague com sangue o preço desses planos. Não é preciso muita imaginação para visualizar Trump a esfregar as mãos ao anunciar este acordo ao mundo, vangloriando-se do “exército e da indústria bélica da Turquia, do poder financeiro da Arábia Saudita e das armas nucleares do Paquistão”.


Círculos do AKP tentaram vender este acordo como uma mobilização de potências regionais contra Israel, chegando até a apresentar o estabelecimento de um novo equilíbrio de poder. Nada disso convence.


O AKP não se está a contrapor a Israel, seu "inimigo irmão" na região. Está a colocar-se como subcontratado para uma "paz americana", uma paz que fortalece Israel, enfraquece o Irão e é flanqueada por potências regionais reacionárias prontas para desempenhar qualquer papel sombrio que o imperialismo lhes designar.


Ficou evidente que Washington está a trabalhar sistematicamente para remover todos os pontos de resistência que se interpõem no caminho de um acordo regional mais amplo centrado em Israel, e para realinhar toda a região a fim de servir os seus próprios interesses. Os ataques destinados a enfraquecer o Irão, a implementação do Plano Gaza e a assinatura do pacto de segurança turco-saudita-paquistanês, no meio da escalada das tensões no Iémen e no Mar Vermelho: nenhum destes acontecimentos está isolado dos demais.


Washington quer distribuir o ónus militar dessa estratégia entre os seus aliados regionais e, ao mesmo tempo, integrar a sua orientação regional na estratégia comum da NATO. A Turquia tornou-se crucial justamente nesse ponto. Não foi por acaso que a Cimeira da NATO em Ancara colocou em evidência a capacidade bélica e a indústria armamentista da Turquia, nem que as negociações sobre o papel regional atribuído ao nosso país tenham ocorrido ali.


Agora, acompanhamos a implementação desse acordo passo a passo em toda a região.


O Acordo de Meca, portanto, não é um “acordo de defesa” assinado entre três países. A máquina de guerra e a capacidade militar da Turquia, integradas na NATO , estão a ser amarradas, através de novos mecanismos com potências regionais reacionárias como a Arábia Saudita, a planos imperialistas que abrangem uma área geográfica ainda mais ampla.


Um período difícil aguarda a vasta extensão que vai do Médio Oriente, passando pelo Mar Vermelho, até África. À medida que se intensifica a luta pelo controlo da energia e das rotas comerciais, bem como por novos e lucrativos campos de investimento, fica evidente que esse conflito trará consigo novas alianças militares e sangrentas consequências.


Por todas essas razões, o nosso povo deve permanecer alerta em relação aos novos cenários de guerra que o governo apresentará, disfarçados de retórica nacionalista bombástica, sonhos de uma “nova ordem otomana”, retórica sectária ou a linguagem da “segurança nacional”.


A segurança da Turquia não reside em mais alianças militares, mais armamentos ou em assumir papéis cada vez mais importantes em planos imperialistas.


A segurança da Turquia reside na retirada da NATO, no encerramento das bases imperialistas, na expulsão das tropas estrangeiras do nosso país e na construção de relações com todos os nossos vizinhos com base na igualdade, soberania e respeito mútuo.


Somente uma vontade popular anti-imperialista consistente e cada vez mais forte na Turquia poderá garantir isso.


Sem o crescimento organizado da luta do nosso povo, a Turquia não se conseguirá libertar da máquina de guerra na qual as ambições da sua classe capitalista a lançou.


Rejeitar o destino que o imperialismo e as forças reacionárias traçaram para o nosso país e tomar as rédeas do nosso próprio futuro tornou-se uma necessidade vital que exige organização. O TKP fará tudo o que for preciso para isso.





Fonte: https://www.idcommunism.com/2026/08/the-communist-party-of-turkey-on-so-called-mecca-joint-defense-agreement.html, publicado e acedido em 10.08.2026

Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg7DtV8n0Q5zbeTBdTKgWcUqUDNCwSsS6XkH6p_OfZIZ-PyKO8h1gqD-HQzrst55JVwAWfjYszefF0UeLcXVARX1qhBH8bXqIuS2u3gDNZKBPeG_cE7aqXsgdZzWO41BOAMR1R5FLj0a47F6lVjdAcq0JJTCuVPd8rQWnYEDrC9-nmhtSdVae_80TwgG6By/s1566/Mecca%20Agreement%202.jpg



Tradução de TAM

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Che Guevara na Assembleia Geral da ONU,1964

(Parte I/II)



Claro, agora existe um campo socialista que se fortalece a cada dia e possui armas de luta mais poderosas. Mas são necessárias condições adicionais para a sobrevivência: a manutenção da unidade interna, a fé no próprio destino e a decisão irrevogável de lutar até à morte pela defesa do próprio país e da revolução. Essas condições, ilustres delegados, existem em Cuba.





11 de dezembro de 1964, 19ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York.





Senhor Presidente;
Ilustres delegados:





A delegação de Cuba a esta Assembleia, antes de tudo, tem o prazer de cumprir o agradável dever de dar as boas-vindas a três novas nações que se juntam ao importante número daquelas que discutem aqui os problemas do mundo. Portanto, saudamos, na pessoa dos seus presidentes e primeiros-ministros, os povos da Zâmbia, Malawi e Malta, e expressamos a esperança de que, desde o início, esses países se juntem ao grupo de países não alinhados que lutam contra o imperialismo, o colonialismo e o neocolonialismo.





Também queremos transmitir as nossas felicitações ao presidente desta Assembleia [Alex Quaison-Sackey, de Gana], cuja elevação a um cargo tão alto tem especial significado, pois reflete este novo estágio histórico de triunfos retumbantes para os povos da África, que até há bem pouco tempo estavam sujeitos ao sistema colonial do imperialismo. Hoje, na sua imensa maioria, esses povos tornaram-se Estados soberanos pelo exercício legítimo da sua autodeterminação. A última hora do colonialismo chegou, e milhões de habitantes da África, Ásia e América Latina levantam-se para encontrar uma nova vida e exigir o seu direito irrestrito à autodeterminação e ao desenvolvimento independente das suas nações.





Desejamos, senhor Presidente, o maior sucesso nas tarefas que lhe foram confiadas pelos Estados-membros.





Cuba vem aqui para expor a sua posição sobre os pontos de controvérsia mais importantes e fá-lo-á com o pleno sentido de responsabilidade que o uso deste púlpito implica, ao mesmo tempo que cumpre o inevitável dever de falar de forma clara e franca.





Gostaríamos de ver esta Assembleia a sacudir a complacência e seguir em frente. Gostaríamos de ver os comités a iniciar o seu trabalho e a não parar ao primeiro confronto. O imperialismo quer transformar esta reunião num torneio oratório inútil, em vez de resolver os sérios problemas do mundo. Devemos impedir que isso aconteça. Esta sessão da Assembleia não deve ser lembrada no futuro apenas pelo número 19 que a identifica. Os nossos esforços são direcionados para esse fim.


Sentimos que temos o direito e a obrigação de fazê-lo, porque o nosso país é um dos pontos de atrito mais constantes. É um dos lugares onde são testados, dia após dia, minuto a minuto, os princípios que defendem o direito dos pequenos países à soberania. Ao mesmo tempo, o nosso país é uma das trincheiras de liberdade do mundo, situado a poucos passos do imperialismo americano, mostrando pelas suas ações, o seu exemplo diário que, nas condições atuais da humanidade, os povos se podem libertar e manter-se livres.





Claro, agora existe um campo socialista que se fortalece a cada dia e possui armas de luta mais poderosas. Mas são necessárias condições adicionais para a sobrevivência: a manutenção da unidade interna, a fé no próprio destino e a decisão irrevogável de lutar até à morte pela defesa do próprio país e da revolução. Essas condições, ilustres delegados, existem em Cuba.





De todos os problemas urgentes a serem tratados por esta Assembleia, um de especial significado para nós, e cuja solução sentimos que deve ser encontrada primeiro — para não deixar dúvidas na mente de ninguém — é a coexistência pacífica entre Estados com diferentes sistemas económicos e sociais. Muito progresso foi feito no mundo nesse campo. Mas o imperialismo, especialmente o imperialismo dos EUA, tentou fazer o mundo acreditar que a coexistência pacífica é um direito exclusivo das grandes potências da Terra. Dizemos aqui o que nosso presidente disse no Cairo, e o que depois foi expresso na declaração da Segunda Conferência de Chefes de Estado ou Governo dos Países Não Alinhados: que a coexistência pacífica não pode ser limitada aos países poderosos se quisermos garantir a paz mundial. A convivência pacífica deve ser exercida entre todos os Estados, independentemente do tamanho, independentemente das relações históricas anteriores que os ligavam e independentemente dos problemas que possam surgir entre alguns deles em determinado momento.





Atualmente, o tipo de convivência pacífica a que aspiramos é frequentemente violado. Apenas porque o Reino do Camboja manteve uma atitude neutra e não cedeu às maquinações do imperialismo americano, foi submetido a todo tipo de ataques traiçoeiros e brutais vindos das bases ianques no Vietname do Sul.





O Laos, um país dividido, também tem sido alvo de agressões imperialistas de todos os tipos. O seu povo foi massacrado por forças aéreas. As convenções concluídas em Genebra foram violadas, e parte do seu território está em constante perigo de ataques covardes por parte das forças imperialistas.





A República Democrática do Vietname conhece todas essas histórias de agressão, como poucas nações na Terra conhecem. Mais uma vez viu a sua fronteira ser violada, viu bombardeiros e caças inimigos atacarem as suas instalações e navios de guerra dos EUA a violar águas territoriais, a atacarem os seus postos navais. Neste momento, a ameaça paira sobre a República Democrática do Vietname de que os militares americanos possam estender abertamente para o seu território a guerra que há muitos anos vêm travando contra o povo do Vietname do Sul. A União Soviética e a República Popular da China fizeram sérios alertas aos Estados Unidos. Estamos diante de um caso em que a paz mundial está em perigo e, além disso, a vida de milhões de seres humanos nesta parte da Ásia está constantemente ameaçada e submetida ao capricho do invasor EUA.





A convivência pacífica também foi brutalmente posta à prova em Chipre, devido às pressões do governo turco e da NATO, obrigando o povo e o governo de Chipre a tomarem uma posição heroica e firme em defesa da sua soberania.





Em todas essas partes do mundo, o imperialismo tenta impor a sua versão do que a coexistência deveria ser. São os povos oprimidos em aliança com o campo socialista que devem mostrar-lhes o que é a verdadeira coexistência, e é obrigação das Nações Unidas apoiá-los.





Também devemos afirmar que não é apenas nas relações entre Estados soberanos que o conceito de coexistência pacífica precisa de ser precisamente definido. Como marxistas, sustentamos que a coexistência pacífica entre nações não engloba a coexistência entre exploradores e explorados, entre opressores e oprimidos. Além disso, o direito à plena independência de todas as formas de opressão colonial é um princípio fundamental desta organização. Por isso, expressamos a nossa solidariedade com os povos coloniais da chamada Guiné Portuguesa, Angola e Moçambique, que foram massacrados pelo crime de exigir a sua liberdade. E estamos preparados para ajudá-los na medida das nossas possibilidades, de acordo com a declaração do Cairo.





Expressamos a nossa solidariedade com o povo de Porto Rico e o seu grande líder, Pedro Albizu Campos, que, noutro ato de hipocrisia, foi libertado aos 72 anos, quase incapaz de falar, paralisado, após passar a vida inteira na prisão. Albizu Campos é um símbolo da América Latina, ainda não livre, mas indomável. Anos e anos de prisão, pressões quase insuportáveis na prisão, tortura mental, solidão, isolamento total do seu povo e família, a insolência do conquistador e seus lacaios na terra onde nasceu — nada quebrou a sua vontade. A delegação de Cuba, em nome do seu povo, presta homenagem de admiração e gratidão a um patriota que confere honra à nossa América.


Os Estados Unidos, durante muitos anos, tentaram converter Porto Rico num modelo de cultura híbrida: a língua espanhola com inflexões em inglês, a língua espanhola com dobradiças na sua espinha dorsal — para melhor se curvar diante do soldado ianque. Soldados portorriquenhos foram usados como carne para canhão em guerras imperialistas, como na Coreia, e até foram obrigados a balear os seus próprios irmãos, como no massacre perpetrado pelo Exército dos EUA há alguns meses contra o povo desarmado do Panamá — um dos crimes mais recentes cometidos pelo imperialismo ianque. E ainda assim, apesar desse ataque à sua vontade e ao seu destino histórico, o povo de Porto Rico preservou a sua cultura, o seu caráter latino, os seus sentimentos nacionais, que por si só são prova do desejo implacável de independência que reside entre as massas naquela ilha latino-americana. Também devemos alertar que o princípio da coexistência pacífica não abrange o direito de zombar com a vontade dos povos, como está a acontecer no caso da chamada Guiana Britânica. Lá, o governo do primeiro-ministro Cheddi Jagan foi vítima de todo tipo de pressão e manobras, e a independência foi adiada para ganhar tempo e encontrar maneiras de desafiar a vontade do povo e garantir a docilidade de um novo governo, colocado no poder por meios secretos, a fim de conceder uma liberdade castrada a este país das Américas. Quaisquer que sejam os caminhos que a Guiana seja obrigada a seguir para obter a independência, o apoio moral e militante de Cuba vai para seu povo. [15]





Além disso, devemos ressaltar que as ilhas de Guadalupe e Martinica vêm lutando há muito tempo pelo seu autogoverno sem o conseguir. Esta situação não pode continuar. Mais uma vez, falamos para alertar o mundo contra o que está acontecendo na África do Sul. A política brutal do apartheid é aplicada diante dos olhos das nações do mundo. Os povos da África são obrigados a suportar o facto de que, no continente africano, a superioridade de uma raça sobre outra permanece política oficial, e que, em nome dessa superioridade racial, o assassinato é cometido impunemente. As Nações Unidas não podem fazer nada para impedir isto?


Gostaria de me referir especificamente ao doloroso caso do Congo, único na história do mundo moderno, que mostra como, com absoluta impunidade e com o cinismo mais insolente, os direitos dos povos podem ser desrespeitados. A razão direta para tudo isto é a enorme riqueza do Congo, que os países imperialistas querem manter sob seu controle. No discurso que fez durante sua primeira visita às Nações Unidas, o compañero Fidel Castro observou que todo o problema da convivência entre os povos se resume à apropriação indevida da riqueza de terceiros. Ele fez a seguinte declaração: "Acabemos com a filosofia do saque e a filosofia da guerra também será encerrada."





Mas a filosofia do saque não só não acabou, como está mais forte do que nunca. E é por isso que aqueles que usaram o nome das Nações Unidas para cometer o assassinato de Lumumba hoje, em nome da defesa da raça branca, estão a assassinar milhares de congoleses. Como podemos esquecer a traição à esperança que Patrice Lumumba depositou nas Nações Unidas? Como podemos esquecer as maquinações e manobras que se seguiram após a ocupação daquele país pelas tropas da ONU, sob cujos auspícios os assassinos desse grande patriota africano agiram impunemente? Como podemos esquecer, ilustres delegados, que quem desrespeitou a autoridade da ONU no Congo — e não exatamente por razões patrióticas, mas sim por conflitos interimperialistas — foi Moise Tshombe, que iniciou a secessão do Katanga com apoio belga? E como se pode justificar, como explicar, que no final de todas as atividades das Nações Unidas nesse território, Tshombe, desalojado do Katanga, devesse regressar como amo e senhor do Congo? Quem pode negar o triste papel que os imperialistas obrigaram as Nações Unidas a desempenhar? [16]





Resumindo: foram realizadas mobilizações dramáticas para evitar a secessão de Katanga, mas hoje Tshombe está no poder, a riqueza do Congo está em mãos imperialistas — e as despesas precisam de ser pagas pelas nações honradas. Os mercadores de guerra certamente fazem bons negócios! Por isso, o governo de Cuba apoia a posição justa da União Soviética ao recusar pagar as despesas desse crime.


E como se isso não bastasse, agora lançamos à nossa cara estes últimos atos que encheram o mundo de indignação. Quem são os autores? Paraquedistas belgas, carregados por aviões dos EUA, que descolavam de bases britânicas. Lembramos como se fosse ontem que vimos um pequeno país na Europa, um país civilizado e industrioso, o Reino da Bélgica, invadido pelas hordas de Hitler. Ficámos amargurados ao saber que essa pequena nação foi massacrada pelo imperialismo alemão, e sentíamos carinho pelo seu povo. Mas esse outro lado da moeda imperialista era o que muitos de nós não víamos. Talvez os filhos de patriotas belgas que morreram a defender a liberdade do seu país agora estejam a assassinar a sangue frio milhares de congoleses em nome da raça branca, tal como eles sofreram sob o calcanhar alemão porque o seu sangue não era suficientemente ariano. Os nossos olhos livres agora abrem-se para novos horizontes e podem ver o que ontem, na nossa condição de escravos coloniais, não conseguimos observar: que a "Civilização Ocidental" disfarça atrás da sua fachada vistosa uma imagem de hienas e chacais. Esse é o único nome que pode ser aplicado àqueles que foram cumprir tais tarefas "humanitárias" no Congo. Um animal carnívoro que se alimenta de povos desarmados. É isso que o imperialismo faz com os homens. É isso que distingue o "homem branco" imperial.





Todos os homens livres do mundo devem estar preparados para vingar o crime do Congo. Talvez muitos desses soldados, que foram transformados em sub-humanos por uma máquina imperialista, acreditem de boa-fé que estão a defender os direitos de uma raça superior. Nesta Assembleia, porém, os povos cujas peles são escurecidas por um sol diferente, cobertas por pigmentos diferentes, constituem a maioria. E eles entendem plena e claramente que a diferença entre os homens não está na cor da pele, mas nas formas de posse dos meios de produção, nas relações de produção. A delegação cubana estende as suas saudações aos povos da Rodésia do Sul e do Sudoeste Africano, oprimidos por minorias colonialistas brancas; aos povos da Basutolândia1, Bechuanalândia2, Suazilândia, Somália Francesa, aos árabes da Palestina, a Aden3 e aos Protetorados3, a Omã; e a todos os povos em conflito com o imperialismo e o colonialismo. Reafirmamos-lhes o nosso apoio.





Também expresso a esperança de que haja uma solução justa para o conflito enfrentado pela nossa república irmã da Indonésia nas suas relações com a Malásia. Sr. Presidente: Um dos temas fundamentais desta conferência é o desarmamento geral e completo. Expressamos o nosso apoio ao desarmamento geral e completo. Além disso, defendemos a destruição completa de todos os dispositivos termonucleares e apoiamos a realização de uma conferência de todas as nações do mundo para tornar realidade essa aspiração de todos os povos. Na sua declaração perante esta assembleia, nosso primeiro-ministro alertou que as corridas armamentistas sempre levaram à guerra. Existem novas potências nucleares no mundo, e as possibilidades de um confronto estão a crescer. Acreditamos que tal conferência é necessária para obter a destruição total das armas termonucleares e, como primeiro passo, a proibição total dos testes. Ao mesmo tempo, precisamos de estabelecer claramente o dever de todos os países de respeitar as fronteiras atuais de outros Estados e de se abster de qualquer agressão, mesmo com armas convencionais.





Ao juntar a nossa voz à de todos os povos do mundo que pedem desarmamento geral e completo, a destruição de todos os arsenais nucleares, a paralisação total da construção de novos dispositivos termonucleares e de qualquer tipo de testes nucleares, acreditamos ser necessário também enfatizar que a integridade territorial das nações deve ser respeitada e a mão armada do imperialismo contida, pois não é menos perigosa quando usa apenas armas convencionais. Aqueles que assassinaram milhares de cidadãos indefesos do Congo não usaram a bomba atómica. Eles usavam armas convencionais. Armas convencionais também foram usadas pelo imperialismo, causando tantas mortes.





Mesmo que as medidas defendidas aqui se tornem eficazes e tornem desnecessário mencioná-las, devemos ressaltar que não podemos aderir a nenhum pacto regional de desnuclearização enquanto os Estados Unidos mantiverem bases agressivas no nosso próprio território, em Porto Rico, no Panamá e em outros Estados latino-americanos onde sentem que têm o direito de colocar tanto armas convencionais como nucleares sem quaisquer restrições. Sentimos que devemos ser capazes de prover a nossa própria defesa à luz da recente resolução da Organização dos Estados Americanos contra Cuba, com base na qual pode ser realizado um ataque invocando o Tratado do Rio. [17] Se a conferência à qual acabamos de nos referir alcançasse todos esses objetivos — o que, infelizmente, seria difícil — acreditamos que seria a mais importante da história da humanidade. Para garantir isso, seria necessário que a República Popular da China fosse representada4 , e é por isso que deve ser realizada uma conferência desse tipo. Mas seria muito mais simples para os povos do mundo reconhecerem a verdade inegável da existência da República Popular da China, cujo governo é o único representante do seu povo, e dar-lhe o assento que merece, que, atualmente, é usurpado pela gangue que controla a província de Taiwan, com apoio dos EUA.





O problema da representação da China nas Nações Unidas não pode, de forma alguma, ser considerado um caso de nova admissão na organização, mas sim a restauração dos direitos legítimos da República Popular da China.





Devemos repudiar energicamente o plano das "duas Chinas". O gangue de Chiang Kai-shek de Taiwan não pode permanecer nas Nações Unidas. Aquilo de que estamos a falar é, repetimos, da expulsão do usurpador e a instalação do legítimo representante do povo chinês.





Também alertamos contra a insistência do governo dos EUA em apresentar o problema da representação legítima da China na ONU como uma "questão importante", a fim de impor a exigência de uma maioria de dois terços dos membros presentes e votantes. A admissão da República Popular da China nas Nações Unidas é, de facto, uma questão importante para o mundo inteiro, mas não para a máquina das Nações Unidas, onde deve constituir uma mera questão de procedimento. Desta forma, será feita justiça. Quase tão importante como alcançar a justiça, porém, seria demonstrar, de uma vez por todas, que esta augusta Assembleia tem olhos para ver, ouvidos para ouvir, língua para falar e critérios sólidos para tomar as suas decisões. A proliferação de armas nucleares entre os Estados-membros da NATO, e especialmente a posse desses dispositivos de destruição em massa pela República Federal da Alemanha, tornaria a possibilidade de um acordo sobre desarmamento ainda mais remota, e ligado a tal acordo está o problema da reunificação pacífica da Alemanha. Enquanto não houver entendimento claro, deve ser reconhecida a existência de duas Alemanhas: a da República Democrática Alemã e a da República Federal. O problema alemão só pode ser resolvido com a participação direta nas negociações da República Democrática Alemã, com plenos direitos. Vamos apenas abordar as questões de desenvolvimento económico e comércio internacional que estão amplamente representadas na agenda. Nesse mesmo ano, 1964, foi realizada a conferência de Genebra, na qual foram tratadas uma série de questões relacionadas com esses aspetos das relações internacionais. Os avisos e previsões da nossa delegação foram totalmente confirmados, para infortúnio dos países economicamente dependentes.





Queremos apenas ressaltar que, no que diz respeito a Cuba, os Estados Unidos da América não implementaram as recomendações explícitas daquela conferência, e recentemente o Governo dos EUA também proibiu a venda de medicamentos a Cuba. Ao fazer isso, desfez-se, de uma vez por todas, da máscara de humanitarismo com a qual tentava disfarçar a natureza agressiva do seu bloqueio contra o povo cubano.





Além disso, afirmamos mais uma vez que as cicatrizes deixadas pelo colonialismo que impedem o desenvolvimento dos povos se expressam não apenas nas relações políticas. A chamada deterioração dos termos de troca não é nada além do resultado da troca desigual entre os países produtores de matérias-primas e os países industrializados, que dominam os mercados e impõem a justiça ilusória da troca igualitária de valores.


Enquanto os povos economicamente dependentes não se libertarem dos mercados capitalistas e, em bloco firme com os países socialistas, não impuserem novas relações entre explorados e exploradores, não haverá desenvolvimento económico sólido. Em certos casos, haverá retrocesso, no qual os países fracos cairão sob a dominação política dos imperialistas e colonialistas.





Por fim, ilustres delegados, deve ficar claro que, na área do Caribe, estão a ocorrer manobras e preparativos para agressão contra Cuba, principalmente nas costas da Nicarágua, também na Costa Rica, na Zona do Canal do Panamá, na Ilha de Vieques em Porto Rico, na Flórida e possivelmente noutras partes do território dos EUA e talvez também nas Honduras. Aí, estão a ser treinados mercenários cubanos, assim como mercenários de outras nacionalidades, com um propósito que pode não ser o mais pacífico. Após um grande escândalo, diz-se que o governo da Costa Rica ordenou a eliminação de todos os campos de treino de exilados cubanos naquele país.





Ninguém sabe se essa posição é sincera ou se é um álibi simples porque os mercenários que treinavam lá estavam prestes a cometer algum erro. Esperamos que se tome plena consciência da real existência de bases para a agressão, que denunciamos há muito tempo, e que o mundo reflita sobre a responsabilidade internacional do governo de um país que autoriza e facilita o treino de mercenários para atacar Cuba. Devemos notar que notícias sobre o treino de mercenários em diferentes partes do Caribe e a participação do governo dos EUA nesses atos são apresentadas como completamente naturais nos jornais americanos. Não conhecemos nenhuma voz latino-americana que tenha protestado oficialmente contra isso. Isso mostra o cinismo com que o governo dos EUA move os seus peões.





Notas de rodapé:



[15] Na época em que este artigo foi escrito, o Partido Unido da Revolução Socialista (PURS) estava em processo de formação. Em março de 1962, o seu predecessor, as Organizações Revolucionárias Integradas (ORI) — formadas pela fusão do Movimento de 26 de Julho, do Partido Socialista Popular e do Diretório Revolucionário — começaram a passar por um processo de reorganização que levou, na segunda metade de 1963, à consolidação do novo partido. No centro dessa reorganização estavam as assembleias realizadas em milhares de locais de trabalho por toda Cuba. Cada reunião discutia e selecionava quem, daquele local de trabalho, deveria ser considerado um trabalhador exemplar. Os selecionados eram, por sua vez, considerados para filiação no partido.



[16] Localizada na Sierra Maestra, Turquino é a montanha mais alta de Cuba.



[17] Em 17 de abril de 1961, 1.500 mercenários nascidos em Cuba invadiram Cuba na Baía dos Porcos, na costa sul, na província de Las Villas. A ação, organizada diretamente por Washington, tinha como objetivo estabelecer um "governo provisório" para apelar a uma intervenção direta dos EUA. Os invasores foram derrotados em 72 horas pela milícia e pelas Forças Armadas Revolucionárias. Em 19 de abril, os últimos invasores renderam-se em Playa Girón (Praia do Girón), nome que os cubanos usam para designar a batalha.








(NT):

1 Atual Lesoto


2 Atual Botsuana


3 Hoje em dia, todo o território destas antigas entidades faz parte da República do Iémen. Durante o domínio colonial britânico, a região estava separada devido à importância comercial e estratégica da zona portuária:


Colónia de Aden (ou Estado de Aden): era uma pequena e cosmopolita cidade portuária. Devido à sua localização estratégica na rota marítima para a Índia, era uma Colónia da Coroa britânica gerida sob controlo direto do Reino Unido;


Protetorados de Aden: Era a vasta região interior que rodeava a cidade, composta por dezenas de pequenos sultanatos, emirados e xeques locais. Os britânicos não os governavam diretamente, mas ofereciam proteção militar em troca de exclusividade política e comercial. Dividiam-se em Protetorado Ocidental e Protetorado Oriental.


4 A 25 de outubro de 1971, a Assembleia Geral da ONU aprovou a histórica Resolução 2758 que decidiu reconhecer os representantes da República Popular da China (Pequim) como os únicos representantes legítimos da China na ONU. Consequentemente, os representantes de Taiwan foram expulsos da organização.





Fonte: At the United Nations , acedido em 14.06.2026
Foto: https://mltoday.com/wp-content/uploads/2026/05/Che-at-UN.jpg




Tradução de TAM


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Sanções matam. Eu já os vi fazer isso.

https://www.counterpunch.org/author/4i4klllcll3l3lldad/  

 

Cirurgião cubano anónimo 

 

Não havia fluido intravenoso suficiente na urgência. Os hospitais pediátricos historicamente foram o último refúgio protegido das nossas piores carências. Mesmo nos nossos anos mais difíceis, tentámos proteger as crianças. Naquela noite, apenas o diretor do hospital autorizava cada frasco de fluido como se fosse ouro puro. Não era ouro, era só sal e água, mas eles só tinham algumas garrafas disponíveis. 

 

 

 

 

Sou cirurgião em Havana, Cuba. Não vou usar o meu nome — não porque tema o meu governo, mas porque temo o vosso e o que ele pode fazer contra aqueles que amo. 

 

No mês passado, operei um senhor idoso com uma úlcera péptica perfurada. A cirurgia foi clássica. Concluí o encerramento da cavidade abdominal  sem contaminação, sem complicações. Tínhamos antibióticos disponíveis naquela época. O que não tínhamos era fluido cristaloide intravenoso para ressuscitação. É a solução mais básica, barata o suficiente para não custar quase nada, mas essencial o bastante para economizar quase tudo. Ela existe. É fabricada em Santiago de Cuba, a 500 milhas de distância. Não conseguia chegar a Havana, pois não havia petróleo para ir buscá-la. Quando chegou, o meu paciente já tinha morrido. 

 

Quero que o leitor pense nisso antes de discutirmos política. 

 

Agora quero contar um episódio ocorrido com uma menina de dois anos, filha de amigos meus. Há duas semanas atrás, ela desenvolveu gastroenterite severa — vomitando vinte vezes ao dia, desidratando-se rapidamente. Os pais  levaram-na à pressa para um hospital pediátrico em Havana. Não havia fluido intravenoso suficiente na emergência. Os hospitais pediátricos historicamente foram o último refúgio protegido das nossas carências. Mesmo nos nossos anos mais difíceis, tentámos proteger as crianças. Naquela noite, apenas o diretor do hospital autorizava cada frasco de fluido como se fosse ouro puro. Não era ouro, era só sal e água, mas eles só tinham algumas garrafas disponíveis. 

 

Estas não são tragédias isoladas. São os resultados pretendidos. 

A taxa de mortalidade infantil em Cuba — antes inferior à dos Estados Unidos, uma conquista genuína do nosso sistema de saúde pública — vem subindo de 5 para mais de 7,1 por 1 000 nados vivos, a partir de 2019. Dois terços dos medicamentos essenciais estão indisponíveis ou em escassez. 

 

Têm surgido Arbovírus como dengue, Oropouche e chikungunha Segundo o próprio instituto de estatísticas de Cuba, o país assistiu ao êxodo de mais de 1,4 milhões de habitantes desde 2020 — entre eles milhares de médicos — e registou o menor número de nascimentos em 65 anos. Somente em 2024-2025, o bloqueio dos EUA custou a Cuba 7,5 mil milhões de dólares. Ao longo de 65 anos, os danos acumulados ultrapassaram mais de 170 mil milhões de dólares. Isto não é uma crise de governação. Isto é ruína fabricada: a aplicação deliberada da máxima pressão económica até que uma nação se desmorone, e então atribuir os destroços à própria nação. Os destroços são então citados como justificação para uma intervenção militar, e a intervenção como caminho para os recursos cobiçados. 

 

A política dos EUA em relação a Cuba foi desenhada desta forma. Em 1960, o vice-secretário assistente de Estado dos EUA, Lester Mallory, escreveu um memorando interno (agora desclassificado) que defendia explicitamente medidas para promover "fome, desespero e derrube do governo" em Cuba por meio de dificuldades económicas deliberadas. Esse embargo dos EUA foi estabelecido para incluir todo o comércio com Cuba em 1962. É considerado ilegal. Sessenta e cinco anos depois, essa estratégia não foi abandonada. Foi refinada. A designação de Estado Patrocinador do Terrorismo exclui Cuba do sistema financeiro internacional — sem transações, sem acesso bancário, empresas estrangeiras ameaçadas por fazerem negócios connosco. Recentemente, Cuba foi declarada pelo presidente dos EUA como uma "ameaça extraordinária aos EUA"e foi emitida uma ordem impedindo qualquer país do mundo de fornecer petróleo à ilha. O bloqueio naval de janeiro de 2026, que cortou o nosso abastecimento principal de combustível, é a expressão mais aguda e recente do embargo dos EUA. Também é ilegal. 

 

Neste contexto, os Estados Unidos anunciaram recentemente US$ 6 milhões de ajuda a Cuba, entregues por canais explicitamente projetados para contornar o governo cubano. Cuba perde 20 milhões de dólares para o bloqueio todos os dias. Seis milhões não é um gesto de boa vontade. É cinismo traduzido em dólares. 

Quando leio artigos sobre sobre Cuba na imprensa americana, sou impactado, todas as vezes, pela mesma omissão. As sanções — que afetam 100% dos cubanos, a cada hora de cada dia — recebem apenas uma menção passageira, uma cláusula subordinada, um breve reconhecimento rapidamente equilibrado por conversas sobre "falhas na política interna." Isto não é neutralidade. É uma escolha que serve o poder e protege o agressor. 

 

Aqui está como o bloqueio parece do lado de dentro. A nossa rede elétrica falha  até 22 horas por dia, mesmo na capital. As crianças ficam sentadas no escuro, impossibilitadas de fazer os trabalhos de casa. Os professores não conseguem preparar as suas aulas. Quando a energia falha e não há gás natural nas casas, as famílias cozinham sobre fogueiras a lenha na rua. E então acontece algo que quero que todos os americanos entendam: outros vêm-se juntar a eles. As famílias começaram a fazer a rotação das tarefas de cozinha para bairros inteiros — compartilhando o que têm, garantindo que todos comam. Isto não é um programa do governo. Isto é um povo que se recusa a deixar os outros passar fome. 

 

Por toda a ilha, os cubanos estão a instalar painéis solares em telhados, a construir o seu futuro energético com as suas próprias mãos. Mudaram de veículos a gasolina para triciclos elétricos para transporte e comércio. Alguns deles são voluntários que dedicam dias específicos por semana para transportar pacientes em hemodiálise para os hospitais, gratuitamente. Nas estradas, parar para dar boleia é uma questão do dia a dia e de obrigação legal — funcionários do governo, polícias, médicos, tenentes-coronéis das forças armadas cubanas, artistas, idosos, jovens, todos partilham boleias num país onde o combustível se tornou precioso. Carros com placas do governo são obrigados por lei a embarcar passageiros. Não é incomum ver um poeta e um operário de fábrica, partilhando o banco de trás do carro de um estranho, a caminho de casa. Nas ocasionais sextas-feiras à noite depois do trabalho, os meus colegas e eu juntamos algo para comer, encontramos rum, dominós, música e cada um — com os filhos correndo entre nossas pernas - dança antes mesmo de saber as letras das músicas. Não apesar de tudo. Por causa de tudo. 

 

Sou médico há mais de duas décadas — dupla certificação em medicina de família e cirurgia geral. Trabalho num hospital público universitário (todos os hospitais são públicos) no centro de Havana, gerindo traumas e emergências cirúrgicas. O meu salário triplicou nos últimos 10 anos. Ainda não é suficiente para viver. Os meus pacientes e as suas famílias ligam-me pelo telemóvel, às vezes anos após a cirurgia, quando surge uma nova preocupação, quando estão assustados, quando precisam de alguém em quem confiem. Os meus estagiários médicos, cada vez mais e compreensivelmente, querem sair. O bloqueio está a esvaziar a próxima geração da medicina cubana por dentro, empurrando os cubanos para os Estados Unidos e outros países em números que não víamos no tempo de Barack Obama. Era uma época em que a nossa qualidade de vida era muito melhor, quando cubano-americanos estavam a regressar à ilha para investir e os negócios privados prosperavam. Essa reversão não é destino. É política. 

 

No meu hospital, ensino estudantes de medicina da ELAM — a Escola Latino-Americana de Medicina, que já formou médicos de 122 países e formou perto de 31 000 médicos. É considerada a maior escola de medicina do mundo. É aqui que estudantes de comunidades rurais e carentes de todo o Sul Global estudam medicina gratuitamente. Vêm de origens humildes. Os meus alunos vêm de Angola, Moçambique, República Democrática do Congo, Namíbia, África do Sul, Gana, Saara Ocidental, Colômbia, Bolívia, México, Venezuela, Timor Leste, Nepal, Nicarágua, Domínica, Vietname, Palestina e até da Alemanha, Canadá, Estados Unidos e outros. Um dos palestinianos é um jovem de Tulkaram, na Cisjordânia ocupada. Decidiu, aos quatorze anos, depois de ver o seu tio, um médico formado em Cuba, que um dia também estudaria medicina em Havana. Partiu de uma cidade sitiada militarmente para aprender cirurgia num país em crise económica. Outra estudante de medicina, uma das melhores que já formei em cirurgia, é uma jovem que regressa à República Democrática do Congo. O seu país vive uma guerra contínua há mais de trinta anos. Ela praticou mais do que qualquer um que já ensinei, porque já sabe o que a espera: feridas de guerra e ferimentos que raramente vemos em Cuba, e enfrentará isso em grande parte sozinha. Foi uma das melhores alunas que já ensinei. Ela vai precisar, o seu país precisa dela. 

 

Também fui orgulhosamente selecionado para as intensamente competitivas (e às vezes lucrativas) missões médicas cubanas que enviaram mais de 605 000 profissionais de saúde para mais de 165 países desde 1963. Serei honesto convosco: alguns médicos cubanos que regressam de missões médicas no exterior ganham o suficiente para comprar um carro, uma casa ou consertar um telhado – tudo para dar uma vida melhor aos seus filhos. Na época da minha primeira missão médica em 2010, ganhava mais de 5 vezes o meu salário cubano. Não há contradição nisso. Serviço e dignidade não são mutuamente exclusivos. 

 

Servi nos bairros urbanos pobres de Caracas como parte da missão cirúrgica de Cuba que atuava ao lado do Barrio Adentro — o programa emblemático venezuelano que trouxe médicos cubanos para comunidades onde nenhum tinha trabalhado antes. Foi através de uma brigada cirúrgica cubana semelhante que servi nas comunidades rurais da Bolívia. Em Caracas, consertei uma hérnia ao filho de exilados cubanos que tinham fugido da ditadura de Batista. Depois, a família dele colocou uma moeda de prata nas minhas mãos. Ostentava o rosto de José Martí, o poeta e revolucionário que liderou a independência de Cuba da Espanha. A moeda tinha sido cunhada para o centenário do nascimento de Martí — 1953, o exato ano em que essa família fugiu da ilha. Levaram-na  para fora de Cuba com eles, e guardaram-na como um tesouro durante décadas e agora escolheram entregá-la a um médico cubano para lhe agradecer por manter viva a solidariedade nas Américas. 

 

Em Yacuiba, Bolívia, tratei de uma mulher grávida de uma família de classe média, visitando-a em casa, pois a medicina deve ser praticada sempre que é possível. Ela já estava a ir a uma clínica particular. Após a minha primeira visita, ela e o marido decidiram entregá-la aos meus cuidados. Quando o filho nasceu, puseram-lhe o meu nome em minha homenagem. Não realizei nenhum ato heroico. Simplesmente apareci, fiquei e tratei-a como alguém merecedor de atenção total. 

 

Na Guatemala, um programa de quase 30 anos que envia médicos cubanos para comunidades indígenas — muitos que nunca tinham tido médicos antes — está a ser desmontado sob pressão direta dos EUA. As Honduras acabam de expulsar os seus 128 médicos cubanos, encerrando um programa oftalmológico que realizou quase 7 000 cirurgias para acabar com a cegueira. Isto aconteceu depois de cancelamentos semelhantes no Brasil (2018), Equador e Bolívia (ambos em 2019). Washington ameaçou revogar os vistos de qualquer funcionário do governo que continue a empregar médicos cubanos. Os primeiros-ministros de Barbados, Trinidad e Tobago e São Vicente disseram que preferem perder os seus vistos nos EUA do que perder os médicos cubanos que mantêm os seus hospitais abertos. Os cancelamentos ocorreram apesar dos protestos dos próprios pacientes. Serem atendidos por um médico cubano, ou  não serem atendidos por nenhum:  Washington fez essa escolha por eles. 

 

Um estudo de 2025 publicado no The Lancet Global Health constatou que medidas coercivas unilaterais, como sanções, estão associadas a aproximadamente 564 000 mortes anualmente no mundo todo. Crianças com menos de cinco anos são as vítimas de mais de metade dessas mortes evitáveis. Entre os regimes de sanções estudados, as sanções dos EUA mostraram os efeitos de mortalidade mais fortes. A Assembleia Geral das Nações Unidas votou, todos os anos desde 1992, a favor da condenação do embargo dos EUA contra Cuba. Em outubro de 2024, a votação foi de 187 nações contra 2. Os Estados Unidos e Israel ficaram sozinhos contra o mundo. 

 

Cuba tem as suas próprias contradições e falhas. Sabemos disso. Discutimos entre nós, muitas vezes com intensidade. São debatidas propostas de leis nos nossos locais de trabalho, bairros e online antes de serem apresentadas para aprovação à Assembleia Nacional. Temos muito a melhorar para ter mais controlo social sobre o governo. Esses desafios são para enfrentar por nós — nos nossos próprios termos, no nosso próprio tempo. Por exemplo, vários altos funcionários do governo foram presos por corrupção. No entanto, eles não são um pretexto para uma potência estrangeira fabricar o nosso colapso, ficar com os nossos recursos e chamar a isso libertação. 

 

As pessoas perguntam por que razão eu continuo cá. A resposta não é complicada. Sou patriota — não como um rótulo, mas como uma vida. Acredito que a minha obrigação não termina na minha porta, nem na entrada do hospital, nem nas fronteiras do meu país. Eu acredito num país que pertence a todos, não a poucos privilegiados. Acredito em algo maior do que qualquer um de nós: a possibilidade de uma sociedade construída não sobre o lucro, mas sobre justiça social, dignidade e respeito por cada ser humano. Acredito numa sociedade global onde o potencial, habilidade, talento e genialidade inatos dentro de cada um de nós possam florescer e serem livremente compartilhados uns com os outros. Acredito na sociedade que estamos a construir aqui, imperfeita, sitiada e nossa. Acredito que nenhum político estrangeiro, que nada sabe do meu país, deveria decidir se o meu filho tem ou não tem o que comer. Acredito que nenhuma potência estrangeira tem o direito de entrar nesta ilha, esvaziar o seu povo pela fome e chamar a isso liberdade. Se chegasse a esse ponto — se a defesa desta pátria exigisse tudo — eu daria tudo. Isto não é bravata. É a mesma convicção que me faz levantar da cama antes do amanhecer, que me faz atender o telefone à meia-noite quando um paciente assustado liga, ou que me manteve numa fila de gasolina durante 23 horas há duas semanas atrás, quando a gasolina era escassa, mas ainda disponível. 

 

Cuba não é um Estado falido à espera de ser resgatado. Cuba é um povo — brilhante, teimoso, generoso e vibrante — que se recusou durante sessenta e cinco anos a tornar-se o mercado de outros. Somos o senhor idoso que sobreviveu à minha cirurgia, mas não ao bloqueio. Somos a criança de dois anos desidratada e sem fluidos intravenosos suficientes. Somos o médico e o diretor do hospital decidindo como afetar recursos escassos, quando todos merecem. Somos a médica congolesa que regressa a casa para curar o seu país devastado pela guerra com as ferramentas clínicas que Cuba lhe dera. Somos o exilado cubano que guardou uma moeda Martí numa gaveta em Caracas durante décadas, esperando um motivo para a oferecer. Somos a criança boliviana  que recebeu o nome em homenagem a um médico que simplesmente apareceu. Somos os estranhos que compartilham uma casa no banco de trás. Ainda estamos aqui. Ainda estamos a ensinar, a operar, a cozinhar uns para os outros sobre fogueiras de lenha e ainda a dançar com os nossos filhos nas noites de sexta-feira. 

 

 

Fonte: Sanctions Kill. I Have Watched Them Do It. - CounterPunch.org, publicado e acedido em 21.05.2026 

Foto: https://www.brasildefato.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image_processing20200201-29235-1vbud9w.jpg 

Tradução de TAM 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O fracasso em travar o genocídio de Israel em Gaza permitiu que ele se expandisse para o Líbano

Marjorie Cohn 

 

Israel está a bombardear o sul do Líbano e a deslocar grande parte da sua população. Assim como em Gaza, as ações israelitas enquadram-se claramente na definição de genocídio estabelecida na Convenção sobre Genocídio. 

 

 

 


 


 

 

Israel também está a cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade no Líbano. 

 

Enquanto a atenção mundial está focada na agressão dos EUA-Israel ao Irão e nas proclamações genocidas de Donald Trump, Israel está a perpetrar genocídio no Líbano. 

 

Trump ameaçou genocídio no Irão em 7 de abril, afirmando: "Uma civilização inteira morrerá esta noite." No dia seguinte, concordou com um cessar-fogo de duas semanas. Em resposta, Israel quase imediatamente intensificou o seu ataque ao Líbano, embora os diplomatas paquistaneses que facilitavam as negociações entre os EUA e o Irão tenham dito que o Líbano também estava protegido pelo cessar-fogo. 

 

"Poucas horas depois do mundo ter recebido cautelosamente a notícia de um cessar-fogo entre EUA e Israel com o Irão, no Líbano o pesadelo para os civis tornou-se ainda mais assustador", informou a Amnistia Internacional. "Israel tem um histórico lamentável de realizar ataques ilegais no Líbano e demonstrar um desrespeito cruel pela vida civil, alimentado pela impunidade de que os militares israelitas sentem dispor". 

 

Em 26 de janeiro de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça determinou que Israel estava plausivelmente a cometer genocídio em Gaza e ordenou-lhe que impedisse a prática de atos genocidas. No entanto, o contínuo fracasso da comunidade internacional em deter o genocídio de Israel em Gaza encorajou-o a replicar a sua estratégia genocida no Líbano. 

 

Atos Genocidas de Israel 

Israel está a bombardear o sul do Líbano e a deslocar grande parte da sua população. Assim como em Gaza, as ações israelitas enquadram-se claramente na definição de genocídio estabelecida na Convenção sobre Genocídio. 

 

A Convenção sobre Genocídio define genocídio como atos cometidos "com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso", incluindo matar membros do grupo, infligir danos corporais ou mentais graves a membros do grupo, ou infligir deliberadamente condições de vida calculadas para causar a destruição física do grupo, total ou parcialmente. 

 

Desde 2 de março de 2026, Israel matou mais de 2 020 pessoas no Líbano e feriu mais de 6 436. 

 

Em 8 de abril, data do acordo de cessar-fogo, o exército israelita lançou mais de 100 ataques aéreos "em dez minutos e em múltiplas áreas simultaneamente", inclusive em áreas densamente povoadas de Beirute, sem aviso prévio, matando pelo menos 303 pessoas e ferindo mais de 1 150, informou o ministério da saúde do Líbano. 

 

Israel também está a realizar demolições em massa em várias aldeias libanesas ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano. O exército israelita está armadilhar casas com explosivos e a destruí-las com detonações remotas. 

 

"A possibilidade de que o Hezbollah possa usar algumas estruturas civis nas aldeias fronteiriças do Líbano para fins militares não justifica a destruição em larga escala de aldeias inteiras ao longo da fronteira", segundoRamzi Kaiss, investigador libanês da Human Rights Watch. 

 

Israel afirmou que ocupará grandes áreas do sul do Líbano para estabelecer uma "zona de segurança" em toda a área até ao rio Litani, e que as pessoas deslocadas não poderão voltar para as suas casas até que haja garantia de segurança para as cidades do norte de Israel. Se a deslocação de 2 milhões de habitantes de Gaza for uma referência, isso pode significar deslocação de longo prazo e até permanente. 

 

Além disso, Israel está a desativar as infraestruturas de saúde do Líbano, lançando mais de 90 ataques contra hospitais, equipas médicas, ambulâncias e centros de primeiros socorros desde 2 de março. A destruição de hospitais e equipamentos médicos por Israel está a impedir as pessoas de obter atendimento médico. Embora o exército israelita afirme que o Hezbollah está a usar instalações médicas para "atividades terroristas", não forneceu nenhuma prova para sustentar essa alegação. 

 

A Oxfamdocumentou a destruição das infraestruturas de água e saneamento no Líbano por Israel. Em quatro dias, durante a primeira semana da guerra, Israel "danificou pelo menos sete fontes críticas de água, incluindo reservatórios, redes de canalizações e estações de bombagem que abasteciam quase 7 000 pessoas somente na região de Bekaa." Israel também destruiu redes elétricas, "cortando abastecimentos e serviços vitais para cidades e aldeias inteiras." Pelo menos sete pontes sobre o rio Litani, que liga o sul do Líbano ao resto do país, foram atingidas pelo exército israelita. 

 

Israel forçou um quinto da população do Líbano — mais de 1,2 milhões de pessoas, incluindo 350 000 crianças — a deixarem as suas casas. 

 

A Medical Aid for Palestinians (MAP), uma organização beneficente sediada no Reino Unido que apoia a saúde e a dignidade dos palestinianos que vivem sob ocupação e como refugiados, alerta que as ordens de deslocação forçada de Israel e os ataques em todo o Líbano "estão a incutir medo generalizado entre civis, interrompendo operações humanitárias e ameaçando comunidades de refugiados palestinianos já vulneráveis." 

 

A deslocação forçada, acrescenta o MAP, "ameaça agora consequências catastróficas para a saúde, segurança, meios de subsistência e dignidade. Muitas pessoas — especialmente idosos, pessoas com deficiência e pessoas em extrema pobreza — podem simplesmente não conseguir fugir." 

 

"A escala, o âmbito geográfico e a intensidade coordenada dessas ações indicam uma intenção não apenas de atingir objetivos militares, mas de infligir  amplo sofrimento e criar condições de vida que tornem a existência civil insustentável", relatou o Instituto Lemkin para Prevenção de Genocídio e Segurança Humana. "Israel está a infligir terror absoluto ao povo libanês." 

 

Declarações genocidas israelitas 

 

Vários figuras israelitas fizeram declarações indicando intenção de cometer genocídio. 

 

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, pediu a destruição de "todas as casas" nas aldeias fronteiriças do Líbano "de acordo com o modelo usado em Rafah e Beit Hanoun em Gaza." O exército israelita destruiu 90% das casas em Rafah, no sul de Gaza. Em Beit Hanoun, dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir e Israel incendiou bairros inteiros numa política de terra queimada. 

 

"Precisamos de atacar e eliminar tudo o que está em Dahieh, Baalbek, Tiro, Sídon, Nabatieh, em todos os sítios", declarou o ex-ministro da Defesa israelita Yoav Gallant, que — juntamente com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu — foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. 

Yair Lapid, líder da oposição israelita, admitiu que "pode ser desagradável reduzir duas ou três aldeias libanesas", mas afirmou que seria necessário. 

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o "modelo de Gaza não deve ser replicado no Líbano." 

 

"Israel declarou que não planeia deixar o Líbano mesmo que a atual 'guerra' termine", escreveuQassam Muaddi para Mondoweiss. "Se o modelo de Gaza servir de guia, Israel parece estar a caminhar para expandir a sua fronteira com o Líbano ... Israel está no processo de redesenhar o mapa do Médio Oriente, especialmente no Líbano" para avançar com o seu objetivo de criar o Grande Israel." 

 

Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade de Israel 

 

A Quarta Convenção de Genebra considera o alvo de civis, a destruição gratuita de infraestruturas e a transferência ilegal de uma população como crimes de guerra. 

 

Israel também está a cometer crimes contra a humanidade de transferência forçada, extermínio, assassinato e "outros atos desumanos de caráter semelhante que intencionalmente causam grande sofrimento ou ferimentos graves ao corpo ou à saúde mental ou física." Todos esses crimes estão a ser cometidos como "parte de um ataque generalizado ou sistemático dirigido contra qualquer população civil, com conhecimento do ataque", conforme definido pelo Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI). 

 

Embora nem Israel nem o Líbano façam parte do Estatuto de Roma, qualquer país pode processar líderes israelitas com jurisdição universal. De acordo com princípios bem estabelecidos do direito internacional, os crimes processados pelo TPI — incluindo genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade — são crimes de jurisdição universal. Líderes dos EUA podem ser processados por ajudar e encorajar esses crimes ao fornecer assistência militar, diplomática e política a Israel. 

 

O que fazer 

 

Em setembro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução para implementar o parecer consultivo de julho de 2024 do Tribunal Internacional de Justiça, que determina que a ocupação israelita do território palestino é ilegal. 

 

A resolução apelava a  um embargo de armas e outras sanções a Israel até que ele cessasse as suas violações do direito internacional. A Assembleia Geral atuou sob a   Resolução 377 A (V) da Assembleia Geral da ONU, “Unir pela Paz” (Uniting for Peace) , que confere à Assembleia Geral o poder de agir quando o Conselho de Segurança da ONU não consegue manter a paz e a segurança internacionais devido à falta de unanimidade dos seus membros permanentes. Os EUA vetaram seis resoluções do Conselho de Segurança destinadas a deter a carnificina de Israel em Gaza. 

 

O que podemos fazer para parar o massacre? 

 

Se os EUA estão decididos a continuar a apoiar o genocídio, devemos trabalhar na base para a aplicação da resolução da Assembleia Geral que pede um embargo de armas a Israel, a fim de interromper os seus massacres em Gaza, no Irão e no Líbano. Participar no movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções, que está a alcançar cada vez mais sucesso. Fazer lóbi no Congresso para aprovar uma Resolução de Poderes de Guerra que ponha fim à agressão dos EUA ao Irão e o fim do apoio militar dos EUA a Israel. Escrever artigos de opinião e cartas às redações expressando a nossa objeção aos genocídios de Israel e à agressão militar dos EUA. E apoiar mobilizações de massas para parar os assassinatos e exigir responsabilidades aos perpetradores e seus cúmplices. 

 

 

 

 

Tradução de TAM 

 

Do socialismo utópico ao socialismo Científico (1892) - (Excerto do II capítulo)

Friedrich Engels 28.08.2026 Desse modo o socialismo já não aparecia como a descoberta casual desta ou daquela cabeça genial, mas como o pro...