Partido Comunista da Turquia (TKP)
O AKP não se está a contrapor a Israel, seu "inimigo irmão" na região. Está a colocar-se como subcontratado para uma "paz americana", uma paz que fortalece Israel, enfraquece o Irão e é flanqueada por potências regionais reacionárias prontas para desempenhar qualquer papel sombrio que o imperialismo lhes designar.

Declaração do Comité Central do Partido Comunista da Turquia (TKP) após a assinatura do “Acordo Conjunto de Defesa de Meca” pelo governo do AKP [Adalet ve Kalkınma Partisi, Partido da Justiça e Desenvolvimento] :
"O governo do AKP assinou o chamado "Acordo Conjunto de Defesa de Meca" e, com isso, arrastou o nosso país para uma nova e extremamente perigosa aventura militar. A cláusula declarada como a mais importante do acordo trata um ataque armado contra qualquer um dos três países como um ataque contra todos eles."
Dessa forma, o AKP colocou a Turquia sob uma obrigação de gravíssimas consequências, que poderia arrastar o país para a guerra em condições e por motivos imprevisíveis.
O partido governante assumiu essa obrigação numa região onde a agressão imperialista, as rivalidades regionais e os cálculos de governos reacionários se entrelaçam constantemente e ameaçam gerar novos conflitos a qualquer momento.
Nada garante que o papel da Arábia Saudita nas guerras do Iémen e do Mar Vermelho não se apresente amanhã à Turquia como uma “obrigação de defesa conjunta”.
Ninguém pode garantir que uma nova onda de ataques ao Irão, uma escalada da guerra no Iémen ou algum outro acerto de contas regional não arraste a Turquia diretamente para o conflito.
É exatamente esse o ponto: o poderio militar da Turquia está a ser atrelado aos planos regionais do imperialismo, e está a ser aberto o caminho está para que o nosso povo pague com sangue o preço desses planos. Não é preciso muita imaginação para visualizar Trump a esfregar as mãos ao anunciar este acordo ao mundo, vangloriando-se do “exército e da indústria bélica da Turquia, do poder financeiro da Arábia Saudita e das armas nucleares do Paquistão”.
Círculos do AKP tentaram vender este acordo como uma mobilização de potências regionais contra Israel, chegando até a apresentar o estabelecimento de um novo equilíbrio de poder. Nada disso convence.
O AKP não se está a contrapor a Israel, seu "inimigo irmão" na região. Está a colocar-se como subcontratado para uma "paz americana", uma paz que fortalece Israel, enfraquece o Irão e é flanqueada por potências regionais reacionárias prontas para desempenhar qualquer papel sombrio que o imperialismo lhes designar.
Ficou evidente que Washington está a trabalhar sistematicamente para remover todos os pontos de resistência que se interpõem no caminho de um acordo regional mais amplo centrado em Israel, e para realinhar toda a região a fim de servir os seus próprios interesses. Os ataques destinados a enfraquecer o Irão, a implementação do Plano Gaza e a assinatura do pacto de segurança turco-saudita-paquistanês, no meio da escalada das tensões no Iémen e no Mar Vermelho: nenhum destes acontecimentos está isolado dos demais.
Washington quer distribuir o ónus militar dessa estratégia entre os seus aliados regionais e, ao mesmo tempo, integrar a sua orientação regional na estratégia comum da NATO. A Turquia tornou-se crucial justamente nesse ponto. Não foi por acaso que a Cimeira da NATO em Ancara colocou em evidência a capacidade bélica e a indústria armamentista da Turquia, nem que as negociações sobre o papel regional atribuído ao nosso país tenham ocorrido ali.
Agora, acompanhamos a implementação desse acordo passo a passo em toda a região.
O Acordo de Meca, portanto, não é um “acordo de defesa” assinado entre três países. A máquina de guerra e a capacidade militar da Turquia, integradas na NATO , estão a ser amarradas, através de novos mecanismos com potências regionais reacionárias como a Arábia Saudita, a planos imperialistas que abrangem uma área geográfica ainda mais ampla.
Um período difícil aguarda a vasta extensão que vai do Médio Oriente, passando pelo Mar Vermelho, até África. À medida que se intensifica a luta pelo controlo da energia e das rotas comerciais, bem como por novos e lucrativos campos de investimento, fica evidente que esse conflito trará consigo novas alianças militares e sangrentas consequências.
Por todas essas razões, o nosso povo deve permanecer alerta em relação aos novos cenários de guerra que o governo apresentará, disfarçados de retórica nacionalista bombástica, sonhos de uma “nova ordem otomana”, retórica sectária ou a linguagem da “segurança nacional”.
A segurança da Turquia não reside em mais alianças militares, mais armamentos ou em assumir papéis cada vez mais importantes em planos imperialistas.
A segurança da Turquia reside na retirada da NATO, no encerramento das bases imperialistas, na expulsão das tropas estrangeiras do nosso país e na construção de relações com todos os nossos vizinhos com base na igualdade, soberania e respeito mútuo.
Somente uma vontade popular anti-imperialista consistente e cada vez mais forte na Turquia poderá garantir isso.
Sem o crescimento organizado da luta do nosso povo, a Turquia não se conseguirá libertar da máquina de guerra na qual as ambições da sua classe capitalista a lançou.
Rejeitar o destino que o imperialismo e as forças reacionárias traçaram para o nosso país e tomar as rédeas do nosso próprio futuro tornou-se uma necessidade vital que exige organização. O TKP fará tudo o que for preciso para isso.
Fonte: https://www.idcommunism.com/2026/08/the-communist-party-of-turkey-on-so-called-mecca-joint-defense-agreement.html, publicado e acedido em 10.08.2026
Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg7DtV8n0Q5zbeTBdTKgWcUqUDNCwSsS6XkH6p_OfZIZ-PyKO8h1gqD-HQzrst55JVwAWfjYszefF0UeLcXVARX1qhBH8bXqIuS2u3gDNZKBPeG_cE7aqXsgdZzWO41BOAMR1R5FLj0a47F6lVjdAcq0JJTCuVPd8rQWnYEDrC9-nmhtSdVae_80TwgG6By/s1566/Mecca%20Agreement%202.jpg
Tradução de TAM