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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

130 empresas, 23 países: investigação revela infraestrutura internacional por trás das guerras de Israel

24.08.2026

Equipe do Palestine Chronicle


O relatório dedicou atenção especial à Microsoft, Google e Amazon, descrevendo-as como a espinha dorsal da infraestrutura de nuvem e inteligência artificial de Israel.



 

Uma investigação identificou 130 empresas em seis continentes que fornecem armas, tecnologia, logística e infraestrutura de guerra a Israel.

 

Principais Pontos

 

    A investigação identificou 130 empresas de 23 países que continuaram a fornecer  Israel de outubro de 2023 até maio de 2026.

    Investigadores afirmaram que o apoio ia além da produção de armas, incluindo logística, computação em nuvem, inteligência artificial e sistemas de energia.

    Empresas americanas representavam a maior fatia dos fornecedores, enquanto os gigantes da tecnologia foram identificados como centrais para a infraestrutura militar de Israel.

 

Rede Global de grandes empresas multinacionais

 

Uma investigação de fontes abertas conduzida pela Arabi Post identificou 130 empresas de 23 países em seis continentes que continuaram a fornecer armas, tecnologias, apoio logístico e serviços industriais a Israel, de outubro de 2023 até maio de 2026.

 

O relatório acrescentou que essas cadeias de abastecimentos permaneceram ativas apesar dos repetidos apelos internacionais e das medidas da ONU instando os Estados a suspender as transferências de armas ligadas às operações militares de Israel.

 

De acordo com a investigação, a estrutura de apoio ia além da produção direta de armas e representava o que os investigadores descreveram como um amplo ecossistema industrial multinacional sustentando operações israelitas em Gaza, Cisjordânia ocupada, Líbano, Síria e Irão.

 

Os investigadores disseram que se basearam em documentação de fonte aberta, incluindo registos oficiais, relatórios institucionais, divulgações de empresas, reportagens de investigação e dados públicos. O relatório afirmou que os nomes das empresas, estruturas de propriedade e relações de fornecimento foram cruzados e categorizados de acordo com o setor e o país.

 

Além das Indústrias Tradicionais de Armamento

 

A investigação constatou que as cadeias de abastecimentos militares operam cada vez mais através de sistemas que vão além das fábricas de munições e linhas de produção de aeronaves.

 

Os investigadores disseram que essas redes incorporavam tecnologias e serviços de uso duplo que iam desde a eletrónica e telecomunicações até software, sistemas logísticos, materiais industriais e infraestruturas em nuvem. Em vez de funcionarem como contratos isolados de armas, o relatório descreveu esses setores como partes de uma estrutura de apoio contínua que sustenta capacidades militares ao longo do tempo.

 

A investigação também enfatizou que os anteriores relatórios de guerra se concentravam frequentemente em pacotes de auxílio estatal ou grandes transações de armas, enquanto a sua pesquisa procurava mapear tanto empresas públicas como privadas atuando como fornecedoras contínuas.

 

Empresas americanas dominavam a rede de fornecedores identificados

 

O relatório constatou que as empresas dos EUA representavam o maior agrupamento nacional, representando mais de um terço das empresas identificadas. As empresas listadas incluíam a Boeing, a Lockheed Martin, a RTX (Raytheon), a Northrop Grumman, a General Dynamics, a Palantir, a Google, a Microsoft, a Amazon e a Caterpillar.

Os investigadores identificaram 43 empresas a operar apenas nos Estados Unidos. A Europa contava com 39 empresas em 13 países, com a Alemanha a liderar o continente em nove empresas, seguida pelo Reino Unido e Sérvia.

 

O relatório também identificou uma presença israelita significativa com 22 empresas nacionais, incluindo a Elbit Systems, a Israel Aerospace Industries e a Rafael Advanced Defense Systems. Entretanto, a Índia estava entre os maiores contribuintes asiáticos, com sete empresas, ao lado de empresas do Japão, Coreia do Sul e China.

 

De acordo com a investigação, essa distribuição refletia o que os investigadores descreveram como uma estrutura globalizada de apoio militar que se estendia pela América do Norte, Europa, Ásia, África e Oceânia.

 

Indústrias de Defesa Lideraram a Rede

 

O relatório classificou empresas identificadas em vários setores, incluindo indústrias de defesa, logística e transporte marítimo, cibersegurança, inteligência artificial, energia, engenharia e materiais industriais. As indústrias de defesa e armamento representaram mais da metade das empresas identificadas na investigação.

 

Os investigadores, no entanto, concluiram que o apoio tecnológico passou a ter um papel cada vez mais crítico nas operações militares. Cibersegurança, sistemas de IA, serviços em nuvem e infraestruturas de processamento de dados representavam aproximadamente dez por cento dos setores identificados, refletindo a crescente dependência de capacidades digitais no planeamento militar e operações de campo de batalha.

 

Crescente Papel da IA e da Infraestrutura em Nuvem

 

O relatório dedicou atenção especial à Microsoft, Google e Amazon, descrevendo-as como a espinha dorsal da infraestrutura de nuvem e inteligência artificial de Israel.

 

A plataforma Azure da Microsoft, juntamente com os serviços Google Cloud e Amazon Web Services através do Projeto Nimbus, foram identificados como componentes principais num sistema supostamente usado para processamento de dados em grande escala e suporte operacional. O Projeto Nimbus, envolvendo a Google e a Amazon, foi citado como um contrato supostamente avaliado em cerca de US$ 1,2 mil milhões.

 

De acordo com a investigação, esses sistemas cumprem cada vez mais funções operacionais ao coligir e processar grandes quantidades de informações e acelerar a tomada de decisões no campo de batalha. Os investigadores sustentaram que tais sistemas criam o que equivale a uma infraestrutura digital capaz de suportar operações simultâneas em múltiplas frentes.

 

Sustentação Operacional de Longo Prazo

 

Os investigadores afirmaram que sustentar campanhas militares exige muito mais do que apenas a entrega de armas.

 

O relatório destacou a Boeing entre as empresas ligadas a alguns dos programas militares de maior valor, incluindo projetos de aeronaves F-15 e pacotes de armamento mais amplos. Também fez referência aos marcos de financiamento militar dos EUA e estimativas de milhares de milhões de dólares aprovados desde outubro de 2023.

De acordo com a investigação, entregas rápidas de munições, sistemas de defesa aérea, peças de reposição e kits de orientação permitiram a prontidão operacional contínua e possibilitaram que sistemas militares funcionassem sem interrupções, apesar das campanhas prolongadas.

 

Operações Multi-Frente

 

O relatório concluiu que, à medida que as operações militares se expandiram de Gaza para o Líbano, a Síria e o Irão, a dependência das estruturas globais de fornecimentos se intensificou.

 

Os investigadores concluíram que as operações militares dependem cada vez mais de sistemas integrados envolvendo logística, tecnologia, infraestruturas de nuvem, redes de energia e produção de armas. De acordo com a investigação, essas estruturas interconectadas permitiram continuidade operacional e rápida adaptação, apesar da expansão da atividade militar em múltiplas frentes ao longo de mais de 30 meses de conflito.

 

(Arabi Post, QNN, PC)


Fonte:
https://www.palestinechronicle.com/130-companies-23-countries-investigation-reveals-international-infrastructure-behind-israels-wars/?utm_source=emailoctopus&utm_medium=email&utm_campaign=The%20Palestine%20Chronicle%20Newsletter%2C%20May%2021, publicado em 21.05.2026 e acedido em 17.08.2026

Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnQuKkXZ69rcPpNk-7wRoeTOsmwhU8SBBW3Q&s


Tradução de TAM

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Da Palestina ao Saara Ocidental, a crise de Ceuta revela uma guerra travada sem exércitos

 21.08.2026


Miguel Alabarta


Essa normalização das relações, juntamente com um novo acordo para o aumento das importações de gás argelino, constitui a principal variável para explicar a ação do governo marroquino. No cenário internacional, Argélia e Marrocos constituem os dois lados de uma balança em que o equilíbrio parece impossível.

 


 


 

A entrada de milhares de marroquinos em Ceuta não foi um episódio isolado de migração. O artigo analisa como os fluxos humanos se tornaram instrumentos de pressão geopolítica em disputas que envolvem Espanha, Marrocos, Argélia, Israel e o Saara Ocidental.

 

O controle dos fluxos migratórios como instrumento de política externa não é um fenómeno novo. No último século, muitos Estados utilizaram as suas populações (e as de outros países) para cumprir objetivos de política externa. Foi o que ocorreu com o êxodo de Mariel, de Cuba para a Flórida, em 1980; a crise dos balseros, em 1994; ou a chegada de milhares de marroquinos a Ceuta, em 2021, após a hospitalização do líder da Frente Polisário em Espanha e o aumento das importações de gás argelino.

No entanto, o controle da emigração constitui apenas uma das múltiplas formas pelas quais os Estados utilizaram a mobilidade humana para fins de pressão política.

Essa instrumentalização adotou estratégias muito diversas: desde o assentamento de colonos para consolidar o controle sobre um território — como os colonatos israelitas nos territórios palestinianos ocupados ou a Marcha Verde e o posterior colonato de civis marroquinos no Saara Ocidental — até à expulsão ou proibição da entrada de pessoas consideradas espias ou inimigas do regime em contextos de conflito, a concessão seletiva do estatuto de refugiado em função de interesses políticos ou o controle dos fluxos migratórios de trânsito para obter concessões diplomáticas ou económicas — por exemplo, o acordo da União Europeia com a Turquia, em 2016, ou a Líbia de Muammar Kadafi diante das sanções europeias.

Mas então, como explicar a entrada coordenada de cerca de 50 mil marroquinos em Ceuta, uma cidade com pouco mais de 80 mil habitantes, em questão de horas?

Em primeiro lugar, interpretar a crise de Ceuta como o simples deslocamento de milhares de pessoas em busca de uma vida melhor é uma leitura tão paternalista quanto insuficiente.

Além da crise de Ceuta: Aliado do ocidente, Marrocos usa chantagem, repressão e ocupação para impor poder na África

 

Da mesma forma, reduzir a ideia da migração instrumentalizada à influência de Donald Trump sobre Marrocos significa ignorar a capacidade de ação do Estado marroquino.

As pessoas que cruzaram a fronteira são, de facto, migrantes económicos, mas a forma e o momento em que o fizeram não foram espontâneos. Os Estados, mesmo num contexto de globalização, são, antes de tudo, soberanos.

No cenário internacional, Argélia e Marrocos constituem os dois lados de uma balança em que o equilíbrio parece impossível.

Assim como na crise migratória de 2021, a recente entrada de milhares de pessoas provenientes de Marrocos em território de Ceuta coincide com a visita do presidente Pedro Sánchez à Argélia, no último dia 20 de julho, para descongelar definitivamente as relações diplomáticas entre os dois países, paralisadas desde a declaração de apoio do governo espanhol à ocupação marroquina do Saara Ocidental.

Essa normalização das relações, juntamente com um novo acordo para o aumento das importações de gás argelino, constitui a principal variável para explicar a ação do governo marroquino. No cenário internacional, Argélia e Marrocos constituem os dois lados de uma balança em que o equilíbrio parece impossível.

Ao mesmo tempo, a Comissão de Justiça do Congresso aprovou, em 23 de julho, a proposta de lei que concederia ao povo saaraui a nacionalidade espanhola aos nascidos na antiga colónia espanhola antes de 29 de setembro de 1977 e aos seus descendentes, apesar das emendas apresentadas pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Neste contexto, a decisão do Supremo Tribunal, de 29 de junho (STS 2965/2026), que estabeleceu que o ordenamento jurídico espanhol não ampara as chamadas “devoluções imediatas” de migrantes que chegam a Ceuta e Melilla, configurou um cenário especialmente favorável para que Marrocos respondesse à normalização das relações entre Espanha e Argélia.

Outra variável a ser considerada, agora sim, é a relação de Marrocos com os Estados Unidos e com Israel. Apesar de o genocídio palestiniano implicar o extermínio de uma população maioritariamente árabe, o governo marroquino demonstrou apoio aos planos do governo israelita — através dos Acordos de Abraão, de 2020 — e reforçou as suas relações com os Estados Unidos, que o reconhecem como parceiro, enquanto apoiam o controle marroquino sobre o território saaraui e a sua expansão em direção a Ceuta e Melilla na construção do Grande Marrocos.

A resposta dos governos europeus, sobretudo da Itália e da França, leva a pensar que essa migração dirigida pode ser um aviso à Europa: podemos atacar as vossas fronteiras sem sequer as pisar; podemos afetar os vossos governos sem sequer intervir neles. Ao mesmo tempo, favorece a narrativa da extrema-direita mundial sobre a crise de segurança ligada à imigração; uma extrema-direita que, com exceção de posições mais moderadas, como a de Giorgia Meloni, na Itália, apoia sem reservas o projeto sionista israelita e a deriva dos Estados Unidos em direção a um tipo de autoritarismo competitivo.

Israel apoia o controle marroquino sobre o território saaraui e a sua expansão em direção a Ceuta e Melilla na construção do Grande Marrocos.

Também não devemos esquecer o contexto global. O futebol foi, e continua a ser, um elemento central na geopolítica mundial. Não faltam exemplos: a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, em 1986, após a sua derrota na Guerra das Malvinas; o Campeonato do Mundo de 1934, na Itália de Benito Mussolini; o de 1978, na Argentina de Jorge Rafael Videla; ou a Guerra do Futebol, na América Central, em 1969.

Entre o futebol e os conflitos geopolíticos, encaixa-se perfeitamente a recente restrição da política migratória argentina em decorrência da final do Campeonato do Mundo que colocou frente a frente Espanha e Argentina. Em 30 de julho deste ano, após a última partida da competição e a reação generalizada contra os argentinos e contra tudo o que fosse argentino, o governo de Javier Milei decretou a expulsão e a proibição de entrada em território argentino de qualquer estrangeiro que ofendesse os argentinos pelo simples facto de serem argentinos ou que ofendesse os seus símbolos nacionais.

Diante deste cenário, em 19 de julho, a Espanha, cujo discurso oficial tinha sido o mais veemente contra as políticas de Trump e contra o genocídio cometido na Palestina, venceu o Campeonato do Mundo — e venceu nos Estados Unidos.

Ficou para a história a imagem do presidente estadunidense premiando os representantes espanhóis. Além disso, a população de vários países do Oriente Médio, entre eles a Palestina, apoiou abertamente a seleção espanhola pelo seu posicionamento contra Benjamin Netanyahu e contra Trump. Essa conjuntura pode ter aberto espaço para uma “vingança” estadunidense e israelita, tendo Marrocos como braço executor.

Em resumo, existem fatores nacionais, internacionais e conjunturais que ajudam a compreender os fluxos migratórios dirigidos de Marrocos para a Espanha neste 31 de julho. A desconfiança de Marrocos diante da recente aproximação entre Espanha e Argélia, assim como a amizade do governo marroquino com Israel e os Estados Unidos, ajudam a explicar as ações do país governado pelo rei Mohammed VI, que contou com a decisão do Supremo Tribunal como elemento facilitador.

Somado a isso, a vitória da Espanha no Campeonato do Mundo, entendida como a vitória simbólica de um governo que se apresenta como líder no cenário internacional em oposição aos projetos estadunidense e israelita (pelo menos no plano retórico), completa o conjunto de fatores que deram origem à recente crise na cidade de Ceuta. Limitar-se a uma única explicação seria um ato simplista, e a geopolítica e as relações internacionais nunca são simples.

O que está claro é que a situação em Ceuta não deve ser interpretada como resultado de um fluxo migratório espontâneo, mas sim como um ato de política externa, repleto de nuances e complexidades.



Fonte: Da Palestina ao Saara Ocidental, a crise de Ceuta revela uma guerra travada sem exércitos Diálogos do Sul Global, publicado e acedido em 03.08.2026

Foto: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/wp-content/uploads/2026/08/2f4c31c6-67e4-406a-9a5b-93d21837bb73-1-e1785779144530.png


Tradução de TAM 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A aritmética de um mundo em chamas

María Julia Mayoral





Gastos militares em novos picos. Falta persistente de financiamento para um desenvolvimento sustentável. Um relatório global confirma níveis "alarmantemente altos" de insegurança alimentar e desnutrição.








Os gastos militares aumentaram pelo décimo primeiro ano consecutivo. Investimentos vitais para a humanidade carecem de financiamento oportuno e suficiente; no entanto, os gastos militares globais atingiram quase US$ 2,9 biliões em 2025 e podem continuar a crescer. A 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento reconheceu no ano passado que "o progresso rumo à realização do desenvolvimento sustentável nas suas dimensões económicas, sociais e ambientais está seriamente atrasado", apesar dos compromissos da Agenda 2030, adotada em 2015. Sob os auspícios das Nações Unidas (ONU), o fórum alertou que a diferença entre as aspirações e o financiamento para as alcançar continua a aumentar, com o défice agora estimado em quatro biliões de dólares anuais.



Por outras palavras, não há dinheiro suficiente disponível para fornecer comida, cuidados médicos, água, saneamento, educação, eletricidade e habitação digna a milhões de pessoas, ou para quebrar o ciclo da pobreza estrutural, ou mitigar as mudanças climáticas. No entanto, os gastos militares aumentaram pelo décimo primeiro ano consecutivo, atingindo US$ 2,887 biliões, equivalente a 2,5% do PIB global em 2025, segundo um relatório divulgado em abril passado pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI).


Apesar de uma leve queda, os Estados Unidos permaneceram na liderança, com 954 mil milhões de dólares, representando cerca de um terço do total global. China (336 mil milhões de dólares) e Rússia (190 mil milhões de dólares) ocupavam as posições seguintes, de acordo com o SIPRI. No total, os gastos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) — a maior aliança militar do mundo — atingiram US$ 1.581 biliões, representando 55% do total.



Perante as guerras em curso, disputas comerciais, incerteza geopolítica e planos de investimento militar de longo prazo, "essa tendência de alta quase certamente continuará em 2026 e para além desse ano", disse Xiao Liang, investigador do SIPRI.



"Não se trata apenas de armas e guerras; "É algo que terá efeitos profundos em todas as sociedades", observou o analista, considerando a possibilidade de novos cortes nos serviços sociais e na cooperação internacional na assistência oficial ao desenvolvimento. Avaliações da ONU confirmam que a queda na assistência oficial ao desenvolvimento e o aumento do custo dos empréstimos — devido às taxas de juros exorbitantes — prejudicam especialmente países de baixos e médios rendimentos.



Atualmente, 54 países — lar de 3,4 mil milhões de pessoas — estão a destinar mais recursos ao serviço da dívida do que à saúde ou educação, segundo cálculos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).



"Essas pressões restringiram o investimento público, limitando a capacidade dos países de financiarem o crescimento, fortalecer a resiliência e alcançar o desenvolvimento sustentável", observou a UNCTAD.



Nesse sentido, o Relatório Mundial sobre Crises Alimentares 2026 alertou que "os níveis de insegurança alimentar aguda e desnutrição continuam alarmantemente altos e profundamente enraizados". Na sua décima edição, o estudo mostrou que a fome aguda dobrou na última década, segundo os autores do documento, membros de uma rede global composta por instituições da ONU, União Europeia e outros parceiros.



Segundo o estudo, "o conflito continua a ser a principal causa da insegurança alimentar aguda e da desnutrição sofridas por milhões de pessoas em todo o mundo", afirmou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, no prefácio. As perspetivas para o futuro imediato também são sombrias. "Conflitos em curso, variabilidade climática e incerteza económica global — incluindo riscos para os mercados de alimentos — provavelmente manterão ou piorarão as condições em muitos países", previu o relatório.



Outro desenvolvimento preocupante, acrescentou, "é o declínio drástico no financiamento humanitário e de desenvolvimento para crises alimentares. O financiamento para a resposta a crises alimentares, assim como para a segurança alimentar e nutrição, caiu para níveis não vistos há quase uma década", enfatizou o relatório.



Então, como podemos entender que quase 2,9 biliões de dólares sejam desperdiçados em gastos militares num único ano? Com apenas uma fração dessa enorme fortuna, poderiam ser feitos investimentos significativos para melhorar o bem-estar humano na Terra.



A matemática é simples, e os problemas do mundo não serão resolvidos pela tolice da guerra.








Fonte: The Arithmetic of a world in flames › World › Granma - Official voice of the PCC, publicado em 11.05.2026, acedido em 22.06.2026
Foto: https://araguaianoticia.com.br/images/noticias/74883/18020521_WhatsApp_I.jpeg 



Tradução de TAM

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Guerra contra o Irão: grande figura neoconservadora assume a derrota

MRonline 

 

Mesmo que Trump cumprisse a sua ameaça de destruir a "civilização" iraniana por meio de mais bombardeamentos, o Irão seria capaz de lançar muitos mísseis e drones antes do seu regime cair — assumindo que ele caísse. Apenas alguns ataques bem-sucedidos poderiam paralisar as infraestruturas de petróleo e gás da região durante anos, senão décadas, lançando o mundo, e os Estados Unidos, numa crise económica prolongada. 

 

 

 

 

 

Um artigo de opinião, do neoconservador Robert Kagan na revista pró-guerra Atlantic, confirma essa opinião. Kagan, que pressionou o governo Bush/Cheney para a guerra contra o Iraque, assume que os EUA perderam a sua guerra contra o Irão: 

 

Xeque-mate no Irão – Washington não pode reverter ou controlar as consequências de perder esta guerra.(arquivado) – Atlantic 

 

É difícil lembrarmo-nos de um momento em que os Estados Unidos tenham sofrido uma derrota total num conflito, um revés tão decisivo que a perda estratégica não pudesse ser nem reparada nem ignorada. 
... 
A derrota no confronto atual com o Irão será de caráter totalmente diferente. Não pode ser reparada nem ignorada. Não haverá regresso ao statu quo ante, nem triunfo americano final que desfaça ou supere o dano causado. O Estreito de Ormuz nunca mais será  "aberto", como já foi. Com o controle do estreito, o Irão emerge como o principal ator da região e um dos principais do mundo. Os papéis da China e da Rússia, como aliados do Irão, ficam fortalecidos; o papel dos Estados Unidos fica substancialmente diminuído. Longe de demonstrar a habilidade americana, como os apoiantes da guerra afirmaram repetidamente, o conflito revelou uma América pouco confiável e incapaz de terminar o que começou. Isso vai desencadear uma reação em cadeia ao redor do mundo, enquanto amigos e inimigos se ajustam ao fracasso da América. 

 

Kagan reconhece que os EUA não têm saída para o seu dilema: 

 

Mesmo que Trump cumprisse a sua ameaça de destruir a "civilização" iraniana por meio de mais bombardeamentos, o Irão seria capaz de lançar muitos mísseis e drones antes do seu regime cair — assumindo que ele caísse. Apenas alguns ataques bem-sucedidos poderiam paralisar as infraestruturas de petróleo e gás da região durante anos, senão décadas, lançando o mundo, e os Estados Unidos, numa crise económica prolongada. Mesmo que Trump quisesse bombardear o Irão como parte de uma estratégia de saída — parecendo duro para mascarar a sua retirada — ele não o pode fazer sem arriscar essa catástrofe 

 

Se isso não é xeque-mate, pouco falta. 

 

Kagan está a considerar a alternativa, uma guerra total contra o Irão, mas rejeita-a como um caminho pior que provavelmente levará a um fracasso ainda maior: 

 

A menos que os EUA estejam preparados para conduzir uma guerra terrestre e naval em larga escala para remover o atual regime iraniano, e então ocupar o Irão até que um novo governo possa assumir o poder; a menos que esteja disposto a arriscar a perda de navios de guerra que escoltam petroleiros através de um estreito contestado; a menos que esteja disposto a aceitar o devastador dano de longo prazo às capacidades produtivas da região que provavelmente resultará da retaliação iraniana — desistir agora pode parecer a opção menos má. Do ponto de vista político, Trump pode muito bem sentir que tem mais hipóteses de enfrentar a derrota do que de sobreviver a uma guerra muito maior, longa e cara, que ainda pode terminar em fracasso. 

 

A derrota para os Estados Unidos, portanto, não é apenas possível, mas provável.  Assim se vê como é a derrota. 
... 
O novo statu quo no estreito também provocará uma mudança substancial no poder relativo e na influência, tanto regional como global. Na região, os Estados Unidos ter-se-ão mostrado um tigre de papel, forçando o Golfo e outros países árabes a acomodar o Irão. Como escreveram recentemente os estudiosos do Irão Reuel Gerecht e Ray Takeyh, "As economias árabes do Golfo foram construídas sob o guarda-chuva da hegemonia americana. Acabando isso — e a liberdade de navegação que vem associada — e os Estados do Golfo inevitavelmente irão implorar a Teerão." 

 

Eles não serão os únicos. Todas as nações que dependem da energia do Golfo terão de negociar os seus próprios acordos com o Irão. Que escolha terão eles ? 

 

Kagan acredita que a perda da guerra contra o Irão terá implicações muito mais amplas para a posição dos EUA em todo o mundo: 

 

O ajustamento global a um mundo pós-americano está a acelerar. A posição outrora dominante dos Estados Unidos no Golfo é apenas a primeira de muitas baixas. 

 

No final desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, deve visitar a China. Uma previsão dessa visita da administração, publicada no Financial Times (arquivado), finge que os EUA ainda podem usar a sua guerra para pressionar o mundo à sua volta: 

 
"Eu esperaria que o presidente exercesse pressão", disse um funcionário dos EUA aos repórteres numa conferência de imprensa.  Disse que Trump retomaria as discussões anteriores com Xi sobre o apoio da China ao Irão e à Rússia, incluindo o fornecimento de componentes de dupla utilização e potenciais exportações de armas”. Espero que essa conversa continue. Acho que vocês viram algumas ações, ou seja, sanções, partindo do lado dos EUA apenas nos últimos dias, que tenho a certeza de que farão parte dessa conversa", acrescentou o funcionário. 

O Departamento de Estado impôs na sexta-feira sanções a três empresas chinesas de satélites por fornecerem imagens e outros serviços ao Irão que o ajudaram a conduzir ataques militares contra forças dos EUA no Médio Oriente. O Tesouro também sancionou a Yushita Shanghai International Trade por ajudar o Irão a importar sistemas portáteis de defesa aérea [Manpads] da China. 

 

Trump ainda não reconheceu que, depois de perder a guerra, o jogo das sanções também acabou. Certamente não é do interesse dos chineses, nem de qualquer outro, ajudar os EUA a recuperar a posição hegemónica que agora perderam no Golfo. 

 

 

Fonte: War on Iran: Neocon Grandee Concedes Defeat - MLToday 

Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSIYKZs8MWSNnz7mWto0-eNtSlWJwg9ybpKaRNWfCB-PQ&s=10 

 

Tradução de TAM 

Do socialismo utópico ao socialismo Científico (1892) - (Excerto do II capítulo)

Friedrich Engels 28.08.2026 Desse modo o socialismo já não aparecia como a descoberta casual desta ou daquela cabeça genial, mas como o pro...